O centro da cidade sempre pareceu o local calmo, porém agitado nos dias úteis e um pouco mais calmo nos finais de semana, porém naquele momento estava completamente vazia, as ruas não possuíam um pé de pessoa, em ruas altamente estratégicas veículos militares dos mais diversos e barricadas estavam impedindo o acesso para essas ruas, frequentemente que observasse o céu perceberia que helicópteros e aviões da aeronáutica também sobrevoavam com frequência aquele espaço aéreo, e não muito longe dali, em outro local, mas ainda numa parte da capital, navios da marinha, estava parados, e suas diversas armas estavam direcionadas para certos locais da cidade.

Será que os militares haviam tomado a capital daquele país, e agora estavam guardando-a para si, e se qualquer cidadão ousasse chegar mais perto seria destruído por aquela força superior das forças armadas? Não parecia ser necessariamente isso, por nas ruas da capital que não estavam guardadas pelo militares as pessoas passavam tranquilamente, além disso todas as armas estavam voltadas para dentro da cidade, como se a ameaçava, você qual você, estivesse ali dentro, e como os mesmo ainda não havia achado uma forma de eliminá-la, guardava o local para que nenhuma saísse dali. Porém muito cidadão acreditavam que não era nada disso, os militares estavam mesmo tentando mantê-lo ali, até achar uma solução para o problema. Um simples garoto estava no banco detrás do carro e sempre que passava por aquele local sentia como se estivesse ali, ou tinha um pressentimento que mais cedo ou mais tarde estaria ali, era tanto que olhava fixamente para o local, para aquelas ruas desertas, como seu pai não gostava mais dali, mesmo que sua casa se encontrasse ali dentro, só passava naquelas ruas porque era necessário para chegar aonde ele queria, pois senão ne colocava os pés ou o carro naquela parte da cidade, se tivesse condições já teria se mudado para outro estado. Ao olhar pelo retrovisor e ver seu filho olhando fixamente para a rua lhe perguntou:

– O que foi filho, tudo bem?

– Sim, pai. Está tudo bem. É só que sinto como se precisasse fazer algo ali dentro, como se alguma força me chama-se, como se alguém pedisse a minha ajuda e como se algum dia eu precisasse fazer algo a respeito disso.

Seu pai ficou muito sério, mas ao mesmo tempo muito apreensivo, assustado e preocupado, não queria que seu filho estivesse ali, e muito menos que um dia imaginasse colocar mais uma vez os pés naquele local, por isso o mesmo lhe disse:

– Ouça meu filho, eu quero que me prometa uma coisa, que nunca mais vai pensar em vi aqui, e que nunca vai pensar ou imaginar de entrar por essas ruas, aquelas coisas estão ali, não quero que morra ou se machuque, promete isso pro seu querido pai?

– Sim pai, eu prometo que nem vou mais olhar para esse local, que nunca passou por minha imaginação invadir esse local, não se preocupe com isso.

Mesmo que o pai tenha sentido um alivio maior em relação a promessa do filho, isso seria uma promessa falha, por não se pode prometer algo que não vai se cumprir, algo que não se poderá não fazer. Pois mesmo assim ele ainda continuava a observar aquele lugar e a sensação estranha ainda continuava dentro de si. Entretanto que ameaçava era essa. O que havia colocado para de uma cidade para fora da mesma, para longe dos seus verdadeiros lares, deixando praticamente tudo para trás? Que perigo era esse que mantinha inerte os militares que pareciam prontos para atacar mas somente se algo fugisse do controle, porque todos os voos eram desviados daquele ponto (tanto que tiveram de construir um outro aeroporto numa área mais distante, mas que porém ficava ainda na outra parte da capital daquele país). Poucas eram as pessoas que viram alguma coisa, mas os momentos de tensão, de terror, de agonia, medo e muito mais já havia passado, porém essas dolorosas memórias ficariam para sempre na mente desses cidadãos.

Tudo realmente aconteceu no que parecia ser mais uma noite calma de verão, mas lá para altas horas da noite, parecia que nada disso iria se concretizar, nem mesmo com a ajuda da lua cheia, do raro calor daquele dia, da brisa refrescante entrando pela janela de cada cômodo. Aqueles que possuíam insônia, algum distúrbio ou problema para dormir, fora os primeiros que notavam, o que parecia ser simplesmente um avião ou helicóptero sobrevoando aquele espaço aéreo, ficou maior, como se uma frota inteira começasse a passar por ali, e era isso mesmo que estava acontecendo, várias dessas aeronaves militares estavam sobrevoando aquele local. Isso obviamente foi o início do caos, a partir daí o que se viu e ouviu foram as piores coisas que se pode imaginar, como pessoas gritando desesperadas, a sirenes da cidade sendo acionadas, pessoas correndo como podiam, levando o básico ou o que conseguiam carregar ou colocar na mala do carro. Certamente houveram mortes, acidentes e tudo o mais que pode acontecesse nessas situações, mas boa parte da cidade conseguiu sair dali, depois disso os militares e cercaram o local, e a situação continua a mesma desde então, incêndios ocorreram, mas ninguém teve coragem de apaga-los, que a chuva e o tempo dessem conta de fazer isso.

A vida daquela capital havia mudado, mas independente das mudanças drásticas, parecia que tudo havia voltado a normalidade ou quase isso, mas nada mais poderia ser feito, os corpos das pessoas permaneciam no local, mas parece que os incêndios e o tempo de exposição as intempéries do ambiente aberto, fizeram com que depois de semanas o cheiro desaparecesse por completo, a não ser que esses seres tivessem devorado a carne humana, os restos mortais dessas pessoas, deixando para trás somente os ossos ou nem mesmo isso, talvez nada, absolutamente nada. Infelizmente os parentes desses mortos nunca poderiam enterrar seus entes queridos, se é que no final das contas havia algum parente vivo ou restos mortais para realizar o sepultamento e o enterro dos entes queridos. Para não aumentar a destruição na cidade, o fornecimento de energia, agua e até mesmo esgoto foi desviado, o que se temia era que as obras em andamento, as construções sendo reformadas, e tudo o mais com o tempo poderiam vir a desmoronar, se tornarem escombros e pó no asfalto urbano, entretanto ninguém tinha coragem de retornar a aquele local, ninguém sabia da ameaça que poderia enfrentar, ou quem sabia não queria contar, o que se sabe é que no fim das contas, se nada fosse toda aquela cidade estava fadada a ruir, virá ruinas de uma civilização antiga.

Era verdade que algumas pessoas sabiam, e esse alguém era o próprio governo, para ser franco todos os governos, de todos os países que compunham o nosso querido Planeta Terra, pois esse fato não ocorria somente na capital do Brasil, nesse caso em Brasília, mas também na América do Norte, Central, toda a África, Europa, Ásia e também a Oceania, enfim, onde existisse um agrupamento, uma junção ou um amontoado de pessoas, esse perigo estaria ali. Afinal de contas, de onde tinha vindo? De outro planeta? Do subsolo, Do oceano? Era uma ameaça natural? Artificial? Criada por seres extraterrenos ou humanos? Por incrível que pudesse parece essa ameaça, se é que era mesmo uma, tida sido criação do próprio ser humano, ou melhor, em algum momento de suas vidas tinham sido humanos, hoje estavam diferentes, modificados, deformados, talvez por causa do clima, do tempo, do ambiente ou da respiração que possuíam, utilizam um equipamento especial, sendo pelo mesmo que tinha a capacidade de respirar e permanecerem vivos. Sendo assim, seria fácil mata-los, mas porque então o governo e os militares não fizeram nada? Será que havia algum trato, acordo ou pacto realizado entre eles? O pior é que existia sim, e no mesmo dizia que ele ficariam localizado naquela pequeno local, na capital do país, ou pelo menos parte dela, e os militares erraram um pouco em retirar os moradores do local, tentaram ao máximo evitar o pânico, a desordem, a destruição e o caos, mas isso não foi possível, contudo as pessoas não foram avisadas com antecedência, nem mesmo uma notícia no jornal ou uma informativo no telejornal e até mesmo um comunicado por carta. Obviamente que esse pacto dizia que ninguém poderia sair daquele local, senão seria morto, e os outros estavam ciente disso, por isso nunca ousaram desafiar os militares e o governo, estavam livre até mesmo para criar o seu próprio governo.

A criação dessas criaturas, ou desses seres humanos havia se dado não somente pelas mudanças climáticas, mas também pelas guerras, pela exposição prolongada, constante e eterna a locais que ainda possuíam altos índices de radioatividade, locais que fizeram exames, estudos e experiências genéticas, médicas, biológicas e químicas em cobaias humanas, de estudos em centros, hospitais de recolhimentos de pessoas, de medicamentos, remédios, tratamentos e outras atividades médicas e afins que falharam, mas que não mataram, simplesmente deformaram várias pessoas, isso era a prova concreta e realista de como a inteligência humana pode ser utilizada para fazer coisas ruins, para desencadear o mal por todo o mundo. Isso era uma simples prova de como a humanidade num simples erro pode caminhar para o seu fim, para a sua própria destruição, para sua aniquilação.

O garoto continuava com sua paranoia, por isso os pais decidiram leva-lo para o psicólogo, psiquiatra e outros especialistas, mas nenhum conseguiu sequer um diagnóstico e muito menos iniciaram qualquer tipo de tratamento, obviamente que esse garoto chamou a atenção do governo, que o convocou para uma base secreta, que possuía até mesmo um enorme e bem equipado Centro de Pesquisas, haviam sido reunidos os melhores especialistas e toda a tecnologia da qual poderiam dispor. Foram esses mesmos cientistas que fizeram, estudos, pesquisas, exames, anotações e tudo o mais que puderam fazer com o garoto, mas nada de anormal foi descartado, acreditavam que era um simples fruto de sua imaginação ou algum tipo de nervosismo ou distúrbio pelo fato de ter um trauma ou algo parecido ao passar pelo local e saber que em algum lugar por ali se encontrava se lar verdadeiro e que ele não poderia regressar para o mesmo. Todavia o que ninguém sabia era que o garoto era especial mesmo.

Em mais uma jornada com o seu pai, o mesmo teve de passar por aquele local, e a respectiva sensação voltou à tona mais uma vez, contudo, dessa vez foi diferente, ele sabia de qualquer jeito, aquele era o momento certo, por isso, num momento de destreza, ao ver que o carro estava parado em um semáforo, rapidamente soltou-se do cinto de segurança, abriu a porta e correu em direção a rua. Seu pai não teve muito o que fazer, gritou para que o filho voltasse para dentro do carro, enquanto tentava se livrar do cinto, sair do carro e correr atrás do filho, o rapaz também não teve problema algum em passar pelo soldados, apesar de que também tentaram pegar o garoto, mas depois que esse ia longe, ninguém teve coragem de segui-lo. Ele caminhou por pouco tempo, a uma certa distância que dava observar o tanque e pequenas formas de alguns oficiais desconhecidos, foi quando o garoto parou bruscamente e nesse momento, dos lugares mais inusitados aquelas criaturas começaram a sair e vir em direção ao garoto, rodeando por completo, e mesmo assim o menino não esboçou qualquer reação ou teve medo algum, um dos seres se destacou sobre os demais, dando um passo à frente e ficando cara a cara com o rapaz, e lhe fez uma pergunta, mesmo que a pronuncia fosse uma confusão de palavras, ele pareceu entender, por isso respondeu a outro.

– Meu nome completo é Philip Candido Moraes.

E o garoto pareceu receber uma resposta e a entendeu do mesmo modo como a pergunta.

– O nome não importa muito, o que realmente é que você finalmente veio, estávamos ansioso para vê-lo. Estávamos a sua espera, pensamos quando você viria e se realmente viria, estávamos achando que nunca apareceria.

– Você estavam a minha espera? – indagou o garoto confuso.

– Sim estávamos, pode parecer estranho, mas você também é um experimento, não como nós, muito diferente, você é nossa salvação.

– Como assim sua salvação?

– Nem só de pessoas ruins está povoado o mundo, Philip, a história é longa, mas irei resumi-la para você. Um cientista pesquisou todos os efeitos nocivos dos criados pelo homem ou que direta ou indiretamente atingiam o ambiente, o clima, a atmosfera e retornavam para nós. Por isso ele conseguiu desenvolver uma cura, e essa cura é você, está dentro de você.

– E como vocês sabiam que eu estavam vindo? Como vocês sabem que ou eu realmente.

– Digamos que existe uma ligação telepática entre nós, e você também faz parte disso, também tivermos essa vibração com o doutor, mas esse já faleceu a pouco tempo atrás.

– Então era por isso que quando passava por esse local, todas as vezes vocês sentiam minha presença e tentavam se comunicar comigo?

– Isso mesmo, e acredito que hoje você teve a coragem de vir até nós.

– E como posso ajudar vocês?

– Não sabemos, só pode é que possui o conhecimento para descobrir isso. Você tem procurar dentro de você a resposta para esse enigma.

Sendo assim o garoto respirou fundo e se concentrou, percorreu todo o seu pensamento, toda a sua memória, acessou cada momento de sua vida e depois de algum tempo, inesperadamente e rapidamente abriu os olhos, assustando alguns ao seu redor. Isso só podia significar uma coisa, que havia achado a resposta para a sua pergunta, para a sua dúvida, por isso falou com o outro.

– Tire a luva do seu traje, já se o que fazer.

– Você acha isso seguro, se eu descompactar parte da minha roupa, não poderei respirar adequadamente e…

– Não se preocupe, não foi você mesmo que falou que eu tinha que buscar a resposta, pois eu tenho a mesma. Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo.

Não querendo questionar mais o garoto, o outro fez o que ele pediu, obviamente que o traje começou a falhar ou indicar que algo de errado estava acontecendo, mas ambos ignoraram aquilo, então Philip pegou no que seria a mão daquela criatura, fechou os olhos e se concentrou o máximo possível. A partir dali o que aconteceu foi a coisa mais mágica, impressionante e inesquecível que poderia ocorrer em todo o mundo, sem imaginar, depois que começou a se concentrar, o ser sentiu o que seria um pontada, ou seria uma picada, como a de uma agulha e a transformação começou a ocorrer, em poucos segundo ele já estava se livrando da roupa especial e… para surpresa do outro, voltará ser uma pessoa comum. Obviamente que todos quiseram ser curados por ele, não sabia até quando o garoto fazer isso, mas antes que a confusão tomasse conta daquele local o mesmo falou:

– Calma pessoal, não precisam se preocupar, eu mesmo produzo o antidoto, tem para todo o mundo, ninguém sairá daqui sem ser curado, por isso eu quero que de forma organizada forme uma fila – e assim foi feito.

Aquele não era mesmo um garoto comum, nem mesmo era um humano de verdade, era uma inteligência artificial bastante desenvolvida para o seu tempo, mas depois que praticamente estava poucas pessoas a serem curadas, depois de uma briga do pai dele com aqueles soldados, o reforço militar chegou até eles, mas achando que iriam encontrar um perigo iminente, ou até mesmo o garoto morto e que aquilo iria desencadear uma guerra, no local só havia o garoto e outras pessoas? Era isso mesmo? Sim, mas de onde as mesmas haviam surgido, não havia dúvida de que algo diferente havia acontecido ali, por isso, um dos oficiais, munido de um rádio móvel, falou com o que parecia ser um oficial superior pelo rádio:

– Comandante, finalmente encontramos a cura, está bem diante dos nossos olhos. As coordenadas são…. – e lhe informou o local aonde estavam.

– Já estou para o local soldado, mantenha o garoto por ai, não deixe que ele escape, proteja-o com sua vida.

O pai parecia surpreso, mas também não quis levar o garoto embora, sabia que ele era especial, que tinha uma missão a cumprir, mas a única reivindicação era de que iria com ele para todos os locais em que ele fosse. Se que se passasse muito tempo, um helicóptero veio sobrevoando a área e pousou bem perto deles, um senhor, em trajes militares diferentes e com várias condecorações desceu da aeronave e foi em direção a Philip, cumprimentou-o e lhe falou:

– É um prazer conhece-lo Philip Candido Moraes, desde que tudo isso começou estávamos a sua procura, mas acredito que seus circuitos de memória devem ter tido alguma falha, mas isso não importa mais. Deixe-me apresentar, meu nome é Paulo Correia Vasconcelos, sou um dos membros do Estado-Maior das Forças Armadas, ligado ao Ministério da Defesa, e precisamos da sua ajuda, temos uma missão.

– Eu sei perfeitamente qual é minha missão e não hesitarei em nenhum momento em realizá-la, por isso mesmo estou a disposição do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e do Governo. Mas tem somente uma condição, meu pai deseja me acompanhar nessa jornada.

– Ótimo, é bom saber disso rapaz. E não tem problema algum, seu pai poderá nos acompanhar sim. Vamos então – disse indicando o helicóptero.

Todos os três se dirigiram para o mesmo, e logo esse levantou voo, indo para uma direção qualquer, logo todos os governos, de todos os países estavam sendo informados da descoberta que o Brasil havia descoberto, e estavam felizes pela descoberta da cura para aquelas pessoas doente, e o que todos precisavam saber é que mesmo diante de uma situação ruim, mesmo diante do caos e da destruição que o próprio homem criou, também pode haver a paz, a serenidade, a cura e recomeçar tudo novamente, pois o conhecimento humano é diversificado, pode ser utilizado de diversas formas, contudo o mais importante era que nesse momento estava sendo usado para curar pessoas, e nada mais parecia importar naquele momento e que isso se perpetua-se por todo o sempre.

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