O Caminho da Floresta – Conto

Khalil tinha muita sorte, pois morava num bairro razoavelmente sossegado, o que é muito raro nos dias cotidianos, como também tinha a sorte grande de tantas variedades de bens e serviços ao seu alcance, era simplesmente ir caminhando ou pegando um transporte coletivo em pouco minutos estaria onde queria. Mas naquele momento ele precisava mesmo era ir para o Colégio, e um caminho mais curto passava por um floresta, o que não era problema algum, sua preocupação era que o mesmo somente largava quase de noite, pois ensino era integral, ou seja, manhã e tarde, e passar naquele local quase de noite era um pouco assustado mesmo para um garoto de 16 anos.

Todos os dias, sempre que o tocava o sinal da última aula ou atividade da tarde o mesmo sem nenhuma cerimônia ia rapidamente para sala ou onde estivesse sua mochila, pegava os outros materiais, colocava tudo dentro da mesma e ia embora, se despedindo rapidamente de todos. O que ele não sabia é que várias vezes Guily tentava falar com ele, queria pelo menos um tempo para passar com ele, conversarem um pouco a sós, mas entre os dois parecia haver uma barreira muito grande e forte, chamada tempo ou seria o destino interferindo e brincando com os dois? Mas um dia isso ia mudar.

Um dia, quando se preparava mais uma vez para regressar ao lar foi abordado pelo outro rapaz, que era entre todos os colegas da turma o seu melhor amigo. Esse havia deixado um bilhete em sua mesa, dizendo que queria falar no final do dia com o mesmo, precisava lhe falar algo, certamente que o garoto esperava que foi o mais rápido, um recado que não demora-se muito a se dado ou falado, todavia não seria muito bem um recado, mas praticamente uma declaração e iria demorar e tomar um pouco mais do precioso tempo dos dois.

O transcurso das aulas seguiram normalmente, os dois ficavam em carteiras próximas, mas seu contato foi basicamente nenhum, pois ambos eram alunos atenciosos e prestavam bastante atenção no que os professores escrevia no quadro ou ministrava o resto do assunto para os alunos. Quando todos começaram a sair, ambos ficaram arrumando devagar a bolsa, tendo a intenção de ficar para trás, de serem os últimos a sair da sala de aula, quando não havia mais ninguém no recinto, como estava próximo ao parapeito da janela – por sinal soprava uma brisa maravilhosa de fim de tarde – e encostado no mesmo, virado na direção de Guily, fez-lhe a pergunta:

– E então Guily? Estou aqui. Qual o recado que você tem para mim?

O rapaz por algum motivo não conseguia olhar diretamente para o rosto do rapaz, olhava diretamente para o chão, parecia estar levemente corado, mas mesmo que quisesse, Khalil não conseguiria ver isso, não naquele momento. A resposta do rapaz foi categórica.

– Eu queria lhe falar uma coisa, mas estou criando coragem para dizer. É algo muito importante.

– Então sugiro que consiga essa coragem o mais rápido possível, pois está começando a anoitecer e não quero voltar muito tarde para casa.

– A coisa não é tão simples assim, preciso de um pouco de tempo.

– Tempo é o que eu não tenho, está começando a escurecer e eu preciso ir embora, você sabe disso, passo por um lugar assustador.

– Eu sei, mas você precisa me ouvir. É sério o que tenho para lhe passar.

– Eu imagino o quanto, mas essa conversa não está indo para lugar algum. Se você me der licença eu irei embora, você conta de fato o que quer amanhã pela manhã ou em outro momento que achar pertinente.

– Não, espere, não vá agora – disse segurando a mão do rapaz, antes que ele pudesse escapar por completo de suas mãos e de seu corpo.

O mesmo empurrou em direção ao parapeito da janela, seus corpos estavam muito próximos e seus rostos pareciam quase colados um no outro, dava para ouvir a respiração ofegante dos dois. Num impeto de coragem, que parecia não ter existido até o momento, finalmente aquele rapaz tímido estava olhando diretamente nos olhos do outro e estava sorrindo para ele. Aquele se assustou um pouco com a reação do amigo, não sabia o que iria acontecer a seguir e também não estava disposto a pensar nisso.

– Você está muito estranho hoje. Você não acha que estamos muito próximo não? Não poderia se distanciar um pouco de mim não? E finalmente fala o que realmente tem para falar para mim.

– Poderia, mas vai me dizer que você não gosta disso? Você não sente nada, quando nos sentamos nas sombras das árvores e cada um encosta a cabeça nas pernas ou na virilha do outro, dos vários encontrões que tivermos por ai, dos vários locais em que fomos juntos, enfim de tudo o que ocorreu conosco? Isso não foi nada para você?

– Bem, foram importantes sim, foram e são momentos inesquecíveis para mim também, mas não sei onde você está querendo chegar com tudo isso. E não, estou um pouco incomodado com tanta aproximação, poderia se afastar um pouco.

– Você realmente quer saber? Sabe porque tantas perguntas assim? – disse sem sair do lugar. – Eu te amo Khalil, sempre nutri muito forte dentro de mim esse sentimento, tudo aquilo foi muito mágico, inesquecível e importante em minha vida.

– O que? Não posso acreditar. Você está apaixonado por mim, não diga uma loucura destas, não fale uma besteira como essa. Isso é…

– Errado? Incorreto? Inadmissível?

– Não, não é isso que iria dizer, não sou preconceituoso como você deve estar imaginando, além disso não seria muito importante ou interessante para você se eu não concordasse ou lhe apoia-se, não iria fazer diferença – disse pondo suas mãos no tórax do rapaz. – O que iria dizer era porque eu, porque isso tinha que acontecer conosco? Isso não deveria ser assim, isso deveria ser impossível.

– Eu sei, mas as vezes as coisas mais impossíveis é as que se tornam a mais possíveis do mundo. Fico feliz que pelo menos você tenha gostado daqueles bons momentos, sei que estou atrapalhando você, está ficando tarde e você quer ir embora.

– Isso mesmo, realmente preciso ir. Me desculpe se não pude retribuir aos seus sentimentos, espero que encontre a pessoa certa.

– Eu agradeço, eu irei deixar você ir agora, mas antes poderia uma coisa para mim?

– O que? O que você ainda deseja fazer? Pode pedir, mas dependendo do pedido eu posso lhe conceder ou não.

Mas em vez de fazer uma pergunta ou uma afirmação, sem esperar que o outro reagi-se contrariamente, o que o rapaz fez foi precioná-lo contra a parede e lhe tascou um beijo, um daqueles de praticamente de deixar uma pessoa enlouquecida. O rapaz que aparentemente parecia ser contra e certamente tinha se posicionado até em desafor do relacionamento, não esboçou qualquer tipo de reação, nem tento afastar o rapaz, mais do que isso, parece mesmo que estava gostando do que está acontecendo, ou seja, tudo o que ele não passava de uma mentira ou uma tentativa de não manifestar seu amor ou relacionamento pelo outro rapaz.

– Pensei que não quisesse, pensei que iria ficar me evitando. Porque simplesmente não me empurou para longe e sair correndo da sala?

– E porque você acha que não fiz isso? Qual foi o meu propósito? É claro que também gosto de você, tenho certos sentimentos pela sua pessoa, adorei todos os momentos em que passamos juntos, e adoro ficar com a cabeça em sua virinha ou encostada em sua barriga, mas tinha medo do que isso pudesse se tornar, e agora que você me beijou estou meio confuso do que fazer agora.

– Eu imaginei isso, por um acaso tive essa reação diferente, queria saber o que você realmente pensa sobre mim, e eu estava certo, você de fato gostra de mim – e com isso o mesmo se ajoelhou no chão, diante do rapaz. – Não se, eu sei o que fazer em seguida, em primeiro lugar vou acompanha você até a sua casa e agora irei pedir você em namoro. Você quer namorar comigo? – e ainda ajoelhado fez o pedido, segurando a mão do rapaz e olhando fixamente em seus olhos.

– Sim, eu aceito namorar você – disse lhe abraçando como nunca fizerá antes na vida.

E como prometido o rapaz levou o outro para casa, mas não somente naquele dia, mas todos os outros dias que passaram a se seguir, passaram a conversar mais, ficar mais juntos e tudo passou a ser felicidade e alegria em suas vidas, e nada mais havia para reclamar.

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