Os Outros

O centro da cidade sempre pareceu o local calmo, porém agitado nos dias úteis e um pouco mais calmo nos finais de semana, porém naquele momento estava completamente vazia, as ruas não possuíam um pé de pessoa, em ruas altamente estratégicas veículos militares dos mais diversos e barricadas estavam impedindo o acesso para essas ruas, frequentemente que observasse o céu perceberia que helicópteros e aviões da aeronáutica também sobrevoavam com frequência aquele espaço aéreo, e não muito longe dali, em outro local, mas ainda numa parte da capital, navios da marinha, estava parados, e suas diversas armas estavam direcionadas para certos locais da cidade.

Será que os militares haviam tomado a capital daquele país, e agora estavam guardando-a para si, e se qualquer cidadão ousasse chegar mais perto seria destruído por aquela força superior das forças armadas? Não parecia ser necessariamente isso, por nas ruas da capital que não estavam guardadas pelo militares as pessoas passavam tranquilamente, além disso todas as armas estavam voltadas para dentro da cidade, como se a ameaçava, você qual você, estivesse ali dentro, e como os mesmo ainda não havia achado uma forma de eliminá-la, guardava o local para que nenhuma saísse dali. Porém muito cidadão acreditavam que não era nada disso, os militares estavam mesmo tentando mantê-lo ali, até achar uma solução para o problema. Um simples garoto estava no banco detrás do carro e sempre que passava por aquele local sentia como se estivesse ali, ou tinha um pressentimento que mais cedo ou mais tarde estaria ali, era tanto que olhava fixamente para o local, para aquelas ruas desertas, como seu pai não gostava mais dali, mesmo que sua casa se encontrasse ali dentro, só passava naquelas ruas porque era necessário para chegar aonde ele queria, pois senão ne colocava os pés ou o carro naquela parte da cidade, se tivesse condições já teria se mudado para outro estado. Ao olhar pelo retrovisor e ver seu filho olhando fixamente para a rua lhe perguntou:

– O que foi filho, tudo bem?

– Sim, pai. Está tudo bem. É só que sinto como se precisasse fazer algo ali dentro, como se alguma força me chama-se, como se alguém pedisse a minha ajuda e como se algum dia eu precisasse fazer algo a respeito disso.

Seu pai ficou muito sério, mas ao mesmo tempo muito apreensivo, assustado e preocupado, não queria que seu filho estivesse ali, e muito menos que um dia imaginasse colocar mais uma vez os pés naquele local, por isso o mesmo lhe disse:

– Ouça meu filho, eu quero que me prometa uma coisa, que nunca mais vai pensar em vi aqui, e que nunca vai pensar ou imaginar de entrar por essas ruas, aquelas coisas estão ali, não quero que morra ou se machuque, promete isso pro seu querido pai?

– Sim pai, eu prometo que nem vou mais olhar para esse local, que nunca passou por minha imaginação invadir esse local, não se preocupe com isso.

Mesmo que o pai tenha sentido um alivio maior em relação a promessa do filho, isso seria uma promessa falha, por não se pode prometer algo que não vai se cumprir, algo que não se poderá não fazer. Pois mesmo assim ele ainda continuava a observar aquele lugar e a sensação estranha ainda continuava dentro de si. Entretanto que ameaçava era essa. O que havia colocado para de uma cidade para fora da mesma, para longe dos seus verdadeiros lares, deixando praticamente tudo para trás? Que perigo era esse que mantinha inerte os militares que pareciam prontos para atacar mas somente se algo fugisse do controle, porque todos os voos eram desviados daquele ponto (tanto que tiveram de construir um outro aeroporto numa área mais distante, mas que porém ficava ainda na outra parte da capital daquele país). Poucas eram as pessoas que viram alguma coisa, mas os momentos de tensão, de terror, de agonia, medo e muito mais já havia passado, porém essas dolorosas memórias ficariam para sempre na mente desses cidadãos.

Tudo realmente aconteceu no que parecia ser mais uma noite calma de verão, mas lá para altas horas da noite, parecia que nada disso iria se concretizar, nem mesmo com a ajuda da lua cheia, do raro calor daquele dia, da brisa refrescante entrando pela janela de cada cômodo. Aqueles que possuíam insônia, algum distúrbio ou problema para dormir, fora os primeiros que notavam, o que parecia ser simplesmente um avião ou helicóptero sobrevoando aquele espaço aéreo, ficou maior, como se uma frota inteira começasse a passar por ali, e era isso mesmo que estava acontecendo, várias dessas aeronaves militares estavam sobrevoando aquele local. Isso obviamente foi o início do caos, a partir daí o que se viu e ouviu foram as piores coisas que se pode imaginar, como pessoas gritando desesperadas, a sirenes da cidade sendo acionadas, pessoas correndo como podiam, levando o básico ou o que conseguiam carregar ou colocar na mala do carro. Certamente houveram mortes, acidentes e tudo o mais que pode acontecesse nessas situações, mas boa parte da cidade conseguiu sair dali, depois disso os militares e cercaram o local, e a situação continua a mesma desde então, incêndios ocorreram, mas ninguém teve coragem de apaga-los, que a chuva e o tempo dessem conta de fazer isso.

A vida daquela capital havia mudado, mas independente das mudanças drásticas, parecia que tudo havia voltado a normalidade ou quase isso, mas nada mais poderia ser feito, os corpos das pessoas permaneciam no local, mas parece que os incêndios e o tempo de exposição as intempéries do ambiente aberto, fizeram com que depois de semanas o cheiro desaparecesse por completo, a não ser que esses seres tivessem devorado a carne humana, os restos mortais dessas pessoas, deixando para trás somente os ossos ou nem mesmo isso, talvez nada, absolutamente nada. Infelizmente os parentes desses mortos nunca poderiam enterrar seus entes queridos, se é que no final das contas havia algum parente vivo ou restos mortais para realizar o sepultamento e o enterro dos entes queridos. Para não aumentar a destruição na cidade, o fornecimento de energia, agua e até mesmo esgoto foi desviado, o que se temia era que as obras em andamento, as construções sendo reformadas, e tudo o mais com o tempo poderiam vir a desmoronar, se tornarem escombros e pó no asfalto urbano, entretanto ninguém tinha coragem de retornar a aquele local, ninguém sabia da ameaça que poderia enfrentar, ou quem sabia não queria contar, o que se sabe é que no fim das contas, se nada fosse toda aquela cidade estava fadada a ruir, virá ruinas de uma civilização antiga.

Era verdade que algumas pessoas sabiam, e esse alguém era o próprio governo, para ser franco todos os governos, de todos os países que compunham o nosso querido Planeta Terra, pois esse fato não ocorria somente na capital do Brasil, nesse caso em Brasília, mas também na América do Norte, Central, toda a África, Europa, Ásia e também a Oceania, enfim, onde existisse um agrupamento, uma junção ou um amontoado de pessoas, esse perigo estaria ali. Afinal de contas, de onde tinha vindo? De outro planeta? Do subsolo, Do oceano? Era uma ameaça natural? Artificial? Criada por seres extraterrenos ou humanos? Por incrível que pudesse parece essa ameaça, se é que era mesmo uma, tida sido criação do próprio ser humano, ou melhor, em algum momento de suas vidas tinham sido humanos, hoje estavam diferentes, modificados, deformados, talvez por causa do clima, do tempo, do ambiente ou da respiração que possuíam, utilizam um equipamento especial, sendo pelo mesmo que tinha a capacidade de respirar e permanecerem vivos. Sendo assim, seria fácil mata-los, mas porque então o governo e os militares não fizeram nada? Será que havia algum trato, acordo ou pacto realizado entre eles? O pior é que existia sim, e no mesmo dizia que ele ficariam localizado naquela pequeno local, na capital do país, ou pelo menos parte dela, e os militares erraram um pouco em retirar os moradores do local, tentaram ao máximo evitar o pânico, a desordem, a destruição e o caos, mas isso não foi possível, contudo as pessoas não foram avisadas com antecedência, nem mesmo uma notícia no jornal ou uma informativo no telejornal e até mesmo um comunicado por carta. Obviamente que esse pacto dizia que ninguém poderia sair daquele local, senão seria morto, e os outros estavam ciente disso, por isso nunca ousaram desafiar os militares e o governo, estavam livre até mesmo para criar o seu próprio governo.

A criação dessas criaturas, ou desses seres humanos havia se dado não somente pelas mudanças climáticas, mas também pelas guerras, pela exposição prolongada, constante e eterna a locais que ainda possuíam altos índices de radioatividade, locais que fizeram exames, estudos e experiências genéticas, médicas, biológicas e químicas em cobaias humanas, de estudos em centros, hospitais de recolhimentos de pessoas, de medicamentos, remédios, tratamentos e outras atividades médicas e afins que falharam, mas que não mataram, simplesmente deformaram várias pessoas, isso era a prova concreta e realista de como a inteligência humana pode ser utilizada para fazer coisas ruins, para desencadear o mal por todo o mundo. Isso era uma simples prova de como a humanidade num simples erro pode caminhar para o seu fim, para a sua própria destruição, para sua aniquilação.

O garoto continuava com sua paranoia, por isso os pais decidiram leva-lo para o psicólogo, psiquiatra e outros especialistas, mas nenhum conseguiu sequer um diagnóstico e muito menos iniciaram qualquer tipo de tratamento, obviamente que esse garoto chamou a atenção do governo, que o convocou para uma base secreta, que possuía até mesmo um enorme e bem equipado Centro de Pesquisas, haviam sido reunidos os melhores especialistas e toda a tecnologia da qual poderiam dispor. Foram esses mesmos cientistas que fizeram, estudos, pesquisas, exames, anotações e tudo o mais que puderam fazer com o garoto, mas nada de anormal foi descartado, acreditavam que era um simples fruto de sua imaginação ou algum tipo de nervosismo ou distúrbio pelo fato de ter um trauma ou algo parecido ao passar pelo local e saber que em algum lugar por ali se encontrava se lar verdadeiro e que ele não poderia regressar para o mesmo. Todavia o que ninguém sabia era que o garoto era especial mesmo.

Em mais uma jornada com o seu pai, o mesmo teve de passar por aquele local, e a respectiva sensação voltou à tona mais uma vez, contudo, dessa vez foi diferente, ele sabia de qualquer jeito, aquele era o momento certo, por isso, num momento de destreza, ao ver que o carro estava parado em um semáforo, rapidamente soltou-se do cinto de segurança, abriu a porta e correu em direção a rua. Seu pai não teve muito o que fazer, gritou para que o filho voltasse para dentro do carro, enquanto tentava se livrar do cinto, sair do carro e correr atrás do filho, o rapaz também não teve problema algum em passar pelo soldados, apesar de que também tentaram pegar o garoto, mas depois que esse ia longe, ninguém teve coragem de segui-lo. Ele caminhou por pouco tempo, a uma certa distância que dava observar o tanque e pequenas formas de alguns oficiais desconhecidos, foi quando o garoto parou bruscamente e nesse momento, dos lugares mais inusitados aquelas criaturas começaram a sair e vir em direção ao garoto, rodeando por completo, e mesmo assim o menino não esboçou qualquer reação ou teve medo algum, um dos seres se destacou sobre os demais, dando um passo à frente e ficando cara a cara com o rapaz, e lhe fez uma pergunta, mesmo que a pronuncia fosse uma confusão de palavras, ele pareceu entender, por isso respondeu a outro.

– Meu nome completo é Philip Candido Moraes.

E o garoto pareceu receber uma resposta e a entendeu do mesmo modo como a pergunta.

– O nome não importa muito, o que realmente é que você finalmente veio, estávamos ansioso para vê-lo. Estávamos a sua espera, pensamos quando você viria e se realmente viria, estávamos achando que nunca apareceria.

– Você estavam a minha espera? – indagou o garoto confuso.

– Sim estávamos, pode parecer estranho, mas você também é um experimento, não como nós, muito diferente, você é nossa salvação.

– Como assim sua salvação?

– Nem só de pessoas ruins está povoado o mundo, Philip, a história é longa, mas irei resumi-la para você. Um cientista pesquisou todos os efeitos nocivos dos criados pelo homem ou que direta ou indiretamente atingiam o ambiente, o clima, a atmosfera e retornavam para nós. Por isso ele conseguiu desenvolver uma cura, e essa cura é você, está dentro de você.

– E como vocês sabiam que eu estavam vindo? Como vocês sabem que ou eu realmente.

– Digamos que existe uma ligação telepática entre nós, e você também faz parte disso, também tivermos essa vibração com o doutor, mas esse já faleceu a pouco tempo atrás.

– Então era por isso que quando passava por esse local, todas as vezes vocês sentiam minha presença e tentavam se comunicar comigo?

– Isso mesmo, e acredito que hoje você teve a coragem de vir até nós.

– E como posso ajudar vocês?

– Não sabemos, só pode é que possui o conhecimento para descobrir isso. Você tem procurar dentro de você a resposta para esse enigma.

Sendo assim o garoto respirou fundo e se concentrou, percorreu todo o seu pensamento, toda a sua memória, acessou cada momento de sua vida e depois de algum tempo, inesperadamente e rapidamente abriu os olhos, assustando alguns ao seu redor. Isso só podia significar uma coisa, que havia achado a resposta para a sua pergunta, para a sua dúvida, por isso falou com o outro.

– Tire a luva do seu traje, já se o que fazer.

– Você acha isso seguro, se eu descompactar parte da minha roupa, não poderei respirar adequadamente e…

– Não se preocupe, não foi você mesmo que falou que eu tinha que buscar a resposta, pois eu tenho a mesma. Não se preocupe, eu sei o que estou fazendo.

Não querendo questionar mais o garoto, o outro fez o que ele pediu, obviamente que o traje começou a falhar ou indicar que algo de errado estava acontecendo, mas ambos ignoraram aquilo, então Philip pegou no que seria a mão daquela criatura, fechou os olhos e se concentrou o máximo possível. A partir dali o que aconteceu foi a coisa mais mágica, impressionante e inesquecível que poderia ocorrer em todo o mundo, sem imaginar, depois que começou a se concentrar, o ser sentiu o que seria um pontada, ou seria uma picada, como a de uma agulha e a transformação começou a ocorrer, em poucos segundo ele já estava se livrando da roupa especial e… para surpresa do outro, voltará ser uma pessoa comum. Obviamente que todos quiseram ser curados por ele, não sabia até quando o garoto fazer isso, mas antes que a confusão tomasse conta daquele local o mesmo falou:

– Calma pessoal, não precisam se preocupar, eu mesmo produzo o antidoto, tem para todo o mundo, ninguém sairá daqui sem ser curado, por isso eu quero que de forma organizada forme uma fila – e assim foi feito.

Aquele não era mesmo um garoto comum, nem mesmo era um humano de verdade, era uma inteligência artificial bastante desenvolvida para o seu tempo, mas depois que praticamente estava poucas pessoas a serem curadas, depois de uma briga do pai dele com aqueles soldados, o reforço militar chegou até eles, mas achando que iriam encontrar um perigo iminente, ou até mesmo o garoto morto e que aquilo iria desencadear uma guerra, no local só havia o garoto e outras pessoas? Era isso mesmo? Sim, mas de onde as mesmas haviam surgido, não havia dúvida de que algo diferente havia acontecido ali, por isso, um dos oficiais, munido de um rádio móvel, falou com o que parecia ser um oficial superior pelo rádio:

– Comandante, finalmente encontramos a cura, está bem diante dos nossos olhos. As coordenadas são…. – e lhe informou o local aonde estavam.

– Já estou para o local soldado, mantenha o garoto por ai, não deixe que ele escape, proteja-o com sua vida.

O pai parecia surpreso, mas também não quis levar o garoto embora, sabia que ele era especial, que tinha uma missão a cumprir, mas a única reivindicação era de que iria com ele para todos os locais em que ele fosse. Se que se passasse muito tempo, um helicóptero veio sobrevoando a área e pousou bem perto deles, um senhor, em trajes militares diferentes e com várias condecorações desceu da aeronave e foi em direção a Philip, cumprimentou-o e lhe falou:

– É um prazer conhece-lo Philip Candido Moraes, desde que tudo isso começou estávamos a sua procura, mas acredito que seus circuitos de memória devem ter tido alguma falha, mas isso não importa mais. Deixe-me apresentar, meu nome é Paulo Correia Vasconcelos, sou um dos membros do Estado-Maior das Forças Armadas, ligado ao Ministério da Defesa, e precisamos da sua ajuda, temos uma missão.

– Eu sei perfeitamente qual é minha missão e não hesitarei em nenhum momento em realizá-la, por isso mesmo estou a disposição do Ministério da Defesa, das Forças Armadas e do Governo. Mas tem somente uma condição, meu pai deseja me acompanhar nessa jornada.

– Ótimo, é bom saber disso rapaz. E não tem problema algum, seu pai poderá nos acompanhar sim. Vamos então – disse indicando o helicóptero.

Todos os três se dirigiram para o mesmo, e logo esse levantou voo, indo para uma direção qualquer, logo todos os governos, de todos os países estavam sendo informados da descoberta que o Brasil havia descoberto, e estavam felizes pela descoberta da cura para aquelas pessoas doente, e o que todos precisavam saber é que mesmo diante de uma situação ruim, mesmo diante do caos e da destruição que o próprio homem criou, também pode haver a paz, a serenidade, a cura e recomeçar tudo novamente, pois o conhecimento humano é diversificado, pode ser utilizado de diversas formas, contudo o mais importante era que nesse momento estava sendo usado para curar pessoas, e nada mais parecia importar naquele momento e que isso se perpetua-se por todo o sempre.

A Lua – Poema

Como é bom ver a Lua

Em suas quatro fases.
Ver você realizar
Essas misteriosas transformações.

Ver as ondas do mar, e seu reflexo nela
Sentir a brisa invisível e refrescante
Que também vem de lá.

Sentar na orla da praia e a paisagem admirar
Sua luz e tão magnífica, como o raiar
Do sol todas as manhãs.

Quando estais na fase minguante
Míngua todos os meus sentimentos bons
Quando estais na fase crescente
Cresce a esperança de um mundo
Uma vida e de coias melhores

Quando estais na fase cheia
Preencher meu coração e meu corpo
De bons sentimentos, momentos
E situações inesquecíveis e memoráveis.
E finalmente, quando está na fase nova
Cabe-me somente esperar que você reaparece novamente.

Oh! Nobre Lua, que anima os namorados
Que já presenciou tantas festas, formaturas, eventos diversos
Tantos momentos bons e inesquecíveis
Que já viu e auxiliou em tantos beijos, abraços, carinhos
E manifestações de sentimentos bons e diversos.
Tudo isso é que é inesquecível para nós.

Infelizmente também viu a dor, a traição, a morte
E tantos outros sentimentos, situações e eventos ruins
Que queremos tanto apagar de nossas memórias
Mas não chore, não se lamurie, tudo muda
Tudo pode mudar, o mundo seguirá seu caminho.
Por você fará a diferença, então sorria.

Chegará o momento em que nada de ruim será constante
Em que tudo de bom reinará em nossas vidas
Pois a única coisa que irá importar
Será poder te admirar todas as noites
Por isso, Lua, nunca deixe de existir.

Trono de Gelo – Conto

Muitas pessoas sempre me perguntam, sejam minhas amigas mais intimas ou nem tanto, mas que acabaram por me conhecer melhor, sejam alguns amigos meus, o porque e como foi que eu conseguir arranjar um rapaz tão bonito para namorar, e mais do que isso para viver com ele? Se eu contasse a história verdadeira ninguém iria acreditar, por isso, conto uma história totalmente diferente, mas a verdadeira foi uma aventura inesquecível em minha vida, para conquistar o outro não foi nada fácil, mas também não era impossível.

Quando um o outro sonhador vem me pergunta, confesso que digo a verdadeira história, pelo que posso notar alguns realmente acredita, o que me alegra muito, mas outro ainda ficam um pouco desconfiados, achando que em algumas partes estou inventando, mas como sei que alguém aqui é curioso, irei contar a verdadeira história. Quem quiser ouvir que me ouça.

Enfim, estava um dia frio como qualquer outro naquele período anual de inverno, como em outro locais desse mundo, onde eu moro tem a tendência a nevar, por isso quando saio na rua preciso me aquecer o máximo possível, não pretendo morrer de frio, não tão facilmente. Decidi andar por ai, sem nenhum rumo ou destino planejado, iria até onde os meus pés pudessem levar ou suportassem carregar o resto do corpo. Pelo caminho passei por diversos conhecidos, falei com vários conhecidos, cumprimentei e depois continuei seguindo meu caminho. Em um determinado momento foi abordado por um colega que certamente estava passando por perto dele e decidiu falar com ele.

– E ai Gustavo, tudo beleza? Está indo para algum lugar? Ou está somente andando sem rumo pela rua, num dia frio como este?

– Não se preocupe, estou bem agasalhado, além disso, estou sim, andando sem rumo, se puder me indicar algum bom local onde eu possa passear.

– Tem uma praça aqui perto, lá tem um lago belíssimo, fica naquela direção – disse mostrando o caminho para o amigo. – Não tem como se perder, pode ser bom para caminhar e até quem saber refletir sobre a vida.

– Obrigado pelo conselho Caetano, acredito que não custa nada passar pelo parque, deve ser muito inspirado mesmo.

Ambos se despediram e cada um seguiu seu caminho, seu amigo seguiu em direção a sua casa e ele seguiu em direção ao parque. Encontrar o mesmo não foi nem um pouco difícil e Gustavo também não precisou pedir ajuda a ninguém, encontrar o local foi a coisa mais fácil do mundo. Começou a passear pelo parque, lá havia um lago mediano, deveria ser ótimo para um melhor, mas somente nos dias quentes de verão, pois naquele momento estava congelado, mesmo assim continuava esplendido.

Porém sua caminhada seria interrompida, quando ao observar uma parte do lago, percebeu que dentro ou embaixo da crosta de gelo havia alguma coisa, o que será que era? Ao se aproximar, parecia que era uma pessoa, seria isso mesmo? Já se encontrando na margem, não havia sobra de dúvida que era uma pessoa, ele queria observar mais, ver se ainda respirava ou estava morta, porém estava receoso se o gelo iria quebrar ou não. Ele colocou o pé direito, nada aconteceu, depois colocou o outro, também nada aconteceu.

– Bem não aconteceu nada – disse aliviado, falando com ele mesmo.

Calmamente, com passos leves começou a andar em direção a suposta, lá chegando, pelas roupas e pela fisionomia concluiu que se tratava de um garoto. Entretanto suas roupas pareciam não combinar com nada que as pessoas utilizavam naquele momento, deveria ser alguma moda diferente e inusitada, ele se agachou para admirar melhor. Foi nesse momento que tudo aconteceu em questão de segundos.

O gelo rachou, ele submergiu na água gelada, a temperatura deveria está próxima ou abaixo de zero ali dentro, ele tentava respirar mais isso estava quase sendo impossível, também tentava pegar impulso para sair dali, mas pela visão que ficou meio distorcida não conseguia ver direito a saída, começou a perder a consciência, mas antes disso acontecer definitivamente ele perdeu todas as forças e começou a afundar, foi nesse instante que viu uma luz brilhante vindo do fundo, e finalmente desmaiou de vez.

Certamente depois de um trauma desse, o garoto despertou assustado, não sabendo onde estava, e se estava vivo ou morto. Onde estava parecia ser um tipo de caverna ou um imenso salão, aparentemente parecia não ter saída, mas observando melhor pode notar uma imensa porta sua frente, quase da cor das paredes, havendo uma sútil diferenciação entre as duas. Não havendo outra alternativa foi em direção a porta, empurrou-a para a outra direção e aos poucos foi abrindo, se encontrando em outro sala, mas dessa vez menor.

Aquele recinto de alguma maneira parecia familiar, na verdade lembrava muito uma… sala do trono, com objeto como quadro, estatuas de gelo em vez de serem de ferro, mobília decorando o local, vasos de plantas, o problema é que tudo parecia congelado, se tornando esculturas de gelo. Caminhando um pouco mais chegou ao local onde se encontrava o trono real e ali… também havia uma pessoa… espera um pouco, as roupas e o visual não era o mesmo do garoto que estava congelado embaixo da camada de gelo no lago, mas como os dois vieram parar ali? Como ele foi parar ali? E porque que quando o mesmo afundou não viu corpo algum? Ele se aproximou mais do rapaz, ele estaria dormindo ou literalmente morto? Quando vez a menção em tocar naquela figura, a mesma se mexeu de supetão, lhe dando um grande susto e derrubando para trás. Com os olhos gélidos em sua direção, aquilo falou:

– Pensei que teria mais modos diante de um rei? O que faz aqui na sala do trono? Quem lhe deu permissão para entrar?

– Quem é você ou que é? Pensei que estivesse morto, e eu não se lhe dizer, a última vez que lembro de alguma coisa foi desmaiando e quando acordei estava na sala anterior.

– E de onde você vem? – perguntou o monarca num tom inquisitivo.

– Da cidade de Pérola de Cristal, estava andando no gelo, quando pensei ter visto uma pessoa, o gelo quebrou, cai dentro da água, comecei a afundar, vi um brilho estranho vindo do fundo e depois estava aqui.

O rei se levantou, ergueu a mão e falou:

– Basta! Eu já sei de tudo, não sei como conseguiu tal proeza, mas você teve a sorte de encontrar um portal para o meu reino, e existem pouco deles, pedir para meus engenheiros, soldados e alguns súditos selarem quase todos os portais, esse deve ser um dos que sobrou.

– Afinal que lugar é esse? Quem é você? E onde estão todos?

– A primeira e a segunda perguntas já foram feitas, mas responderei assim mesmo – e começou a caminhar em direção ao rapaz. – Chamo-me Clauchet I, o Rei de Gelo, pode-se dizer que sou uma criatura mágica, mas nem sempre foi assim e isso é uma longa história. Já em relação a sua outra pergunta, meu reino é vasto e as outras pessoas devem estar por ai, meus soldados devem estar descansando, além disso pedir para não ser incomodado por um tempo, até eu mesmo revogar essa ordem.

– Desculpe se interrompi alguma coisa. Não quis atrapalhar.

– Sem problema rapaz, agora que está aqui, poderemos conversar um pouco – e começou a andar em sua direção, mas o garoto descobriu que pela agilidade o mesmo estava levitando, por onde passava lhe seguia uma corrente de ar gelado. – Você tem coragem rapaz, de vim até o meu reino e de enfrentar um lago congelado num dia frio e gelado como este – seu halito era tão gelado que fez o corpo do rapaz se arrepiar todo.

– Também não queria estar aqui, por isso mesmo, se puder me tirar ficarei muito grato.

– Acredito que existe um jeito, mas nesse caso vai precisar muito de você. Na verdade trata-se de um desafio, todos que vem ao meu reino são desafiados e somente se conseguem passar é que poderão ir embora.

– E o que acontece que não consegue?

– Torna-se um soldado a meu serviço.

– Tudo bem, eu topo seu desafio, quais são as tarefas que preciso realizar?

– Você acredita que seja mais de uma? Como você tem certeza disso?

– Eu acredito que um único desafio não vai satisfazê-lo, por isso mesmo estou preparado para qualquer coisa que vier, qualquer situação que eu precisar enfrentar.

– Vejo que é um rapaz inteligente, serei mais brando com você, só precisa fazer três desafios. E o primeiro requer que você tire toda a roupa ou pode ficar de cueca e mergulhe na minha piscina, na sala ao lado, não se preocupe, é um local reservado. Por fim gostaria que você pudesse ficar pelo menos 05 minutos

– Sem problema eu não tenho medo ou vergonha que me vejam se roupa. E se quiser eu posso ficar até 10 ou 15 minutos.

– Tudo bem sabichão, você é quem sabe, o desafio é seu, você faz do jeito como quiser.

Sem nenhuma cerimônia, Gustavo começou a se despir, independente de saber ou perceber que deixará um governante um pouco desconsertado, sem jeito e até levemente encabulado. Disfarçando um pouco o monarca levou até o aposentado falado por ele. O desafio foi feito com êxito e ele estava pronto para o próximo, o outro ficou somente observando, depois sabe-se lá de onde, trouxe uma toalha e deu para o rapaz, enquanto o mesmo se enxugava, falou num tom nobre:

– Vejo que não foi tão difícil esse desafio para você, então o segundo não será impossível para você realizar. O que quero que faça é que sente no meu Trono de Gelo e fique no tempo que quiser.

– Isso é moleza – e também acabou realizando esse segundo desafio com perfeição.

Agora faltava somente um desafio, Gustavo estava um pouco ansioso, mas não estava nem um pouco nervoso, pois acreditava que seria fácil, como havia sido anteriormente, ele parecia ter uma falta de sensibilidade ao frio, ou estava acostumado a ficar em certas temperaturas que não transmitiam calor. Ele estava somente tremendo um pouco, todavia com o tempo certamente desapareceria, quando o calor volta-se mais para o corpo dele. O trono era realmente gelado, mas se mexendo um pouco de um lado para o outro deu para ficar por um bom tempo, o suficiente para agradar Clauchet.

– Tenho certeza que o último desafio será um pouco indigesto para você, apesar que eu não gosto muito de fazê-lo, mas já se tornou um hábito, além disso, só possuo os soldados que tenho hoje por causa disso.

– E o que seria isso afinal, é tão ruim assim?

– Talvez seja, dependerá de você. Vamos lá, o último desafio é receber um beijo gelado de mim, mas calma, não é um simples beijo comum, ele tem o poder de praticamente lhe sugar o corpo e alma isso se não congelar por completo, se tornando um soldado a meu serviço.

Isso surpreendeu o garoto um pouco, ele poderia esperar por qualquer coisa, menos um beijo, não que fosse algum problema beijar um garoto ou sabe-se lá o que aquela criatura a sua frente, mas o mesmo era feito de gelo, e de fato se ele não congela-se, morreria na certa, também pelo motivo do frio intenso que teria que passar. Já havia sentido o halito ou a respiração gelada do outro e isso só piorava a situação e lhe acrescentava um pouco de nervosismo a tudo, entretanto ele precisava tomar uma decisão e ele não iria desistir naquela altura do campeonato, o jogo estava praticamente e como ele não tinha medo, iria até o fim.

– Por mim tudo bem, eu topo esse último desafio. Pode vim que estou preparado.

– Ótimo, que bom pensa assim garoto, espero que continue vivo para comemorar sua vitória, e ela vier a existir de fato – e foi levitando em direção ao rapaz, até que estava quase colado com o rapaz, seu rostos se aproximaram lentamente.

Ele achava que a sensação de um beijo, ainda mais gelado seria a pior coisa do mundo, fora que aquele era o seu primeiro, nunca havia feito isso antes, ele esperava que tivesse sido com outra pessoa, alguém muito especial em sua vida, todavia agora era tarde demais para pensar nisso. Porém não foi tão ruim assim, e até mesmo o hálito gelado em sua boca durou por pouco tempo, pois quando abriu os olhos, observou a coisa mais estranha acontecer diante de si.

Simplesmente a criatura de gelo havia congelado, estava totalmente petrificado ou duro, mas não parou por ai, depois disso começou a trincar e depois uma grande rachadura apareceu em seu rosto e começou a percorrer todo o corpo, quando o rapaz que ele iria virar pequenos pedaços de gelo no chão, o gelo e que foi caindo, revelando um garoto normal por trás de tudo isso. Quando todo o gelo finalmente caiu ele abriu os olhos, belíssimos olhos, de um verde vivo, os cabelos loiros e a pele linda como seda, estava olhando em direção a Gustavo.

– Agradeço por me libertar dessa prisão de gelo, isso foi uma maldição que foi lançada a muito tempo por um bruxo que desejava o meu mal, e que só poderia ser desfeito por alguém valente, corajoso, destemido e de coração puro, e você possui todas essas qualidades.

– E o que aconteceu com as outras pessoas? Ainda são seus soldados?

– Não existem pessoas alguma? Não percebeu que foi não foi abordado por nenhum soldado até esse momento, isso foi alguém que inventei para as pessoas aceitarem o desafio até o fim, e quando eu percebia que não era a pessoa certa, terminava o beijo e mandava ela embora, mostrando o caminho que deveria seguir.

– Que bom que pude lhe ajudar, mas e agora, podemos ir finalmente?

– Sim, podemos, eu mostro o caminho – e atrás deles, toda a sala ia começando a derreter por completo, mostrando que aquilo não passava de uma simples caverna.

Voltar para casa não foi tão difícil, pois, por mais complicado que pudesse ser, o rapaz possuía um certo tipo de magia e levou os dois para a casa de Gustavo, claro que ele não ficou na mesma, mas ficou morando perto, os dois passaram a ficar mais íntimos, e depois de um tempo decidir namorar sério e até se encontram junto. Parece mais um sonho ou um filme que mistura realidade e ficção, mas o que foi relatado é a mais pura verdade, é só abrir o coração e deixa essa brisa gelada entrar, mas cuidado, ela pode ser nociva a seres humanos que não estão acostumadas com ela.

O Caminho da Floresta – Conto

O Caminho da Floresta – Conto

Khalil tinha muita sorte, pois morava num bairro razoavelmente sossegado, o que é muito raro nos dias cotidianos, como também tinha a sorte grande de tantas variedades de bens e serviços ao seu alcance, era simplesmente ir caminhando ou pegando um transporte coletivo em pouco minutos estaria onde queria. Mas naquele momento ele precisava mesmo era ir para o Colégio, e um caminho mais curto passava por um floresta, o que não era problema algum, sua preocupação era que o mesmo somente largava quase de noite, pois ensino era integral, ou seja, manhã e tarde, e passar naquele local quase de noite era um pouco assustado mesmo para um garoto de 16 anos.

Todos os dias, sempre que o tocava o sinal da última aula ou atividade da tarde o mesmo sem nenhuma cerimônia ia rapidamente para sala ou onde estivesse sua mochila, pegava os outros materiais, colocava tudo dentro da mesma e ia embora, se despedindo rapidamente de todos. O que ele não sabia é que várias vezes Guily tentava falar com ele, queria pelo menos um tempo para passar com ele, conversarem um pouco a sós, mas entre os dois parecia haver uma barreira muito grande e forte, chamada tempo ou seria o destino interferindo e brincando com os dois? Mas um dia isso ia mudar.

Um dia, quando se preparava mais uma vez para regressar ao lar foi abordado pelo outro rapaz, que era entre todos os colegas da turma o seu melhor amigo. Esse havia deixado um bilhete em sua mesa, dizendo que queria falar no final do dia com o mesmo, precisava lhe falar algo, certamente que o garoto esperava que foi o mais rápido, um recado que não demora-se muito a se dado ou falado, todavia não seria muito bem um recado, mas praticamente uma declaração e iria demorar e tomar um pouco mais do precioso tempo dos dois.

O transcurso das aulas seguiram normalmente, os dois ficavam em carteiras próximas, mas seu contato foi basicamente nenhum, pois ambos eram alunos atenciosos e prestavam bastante atenção no que os professores escrevia no quadro ou ministrava o resto do assunto para os alunos. Quando todos começaram a sair, ambos ficaram arrumando devagar a bolsa, tendo a intenção de ficar para trás, de serem os últimos a sair da sala de aula, quando não havia mais ninguém no recinto, como estava próximo ao parapeito da janela – por sinal soprava uma brisa maravilhosa de fim de tarde – e encostado no mesmo, virado na direção de Guily, fez-lhe a pergunta:

– E então Guily? Estou aqui. Qual o recado que você tem para mim?

O rapaz por algum motivo não conseguia olhar diretamente para o rosto do rapaz, olhava diretamente para o chão, parecia estar levemente corado, mas mesmo que quisesse, Khalil não conseguiria ver isso, não naquele momento. A resposta do rapaz foi categórica.

– Eu queria lhe falar uma coisa, mas estou criando coragem para dizer. É algo muito importante.

– Então sugiro que consiga essa coragem o mais rápido possível, pois está começando a anoitecer e não quero voltar muito tarde para casa.

– A coisa não é tão simples assim, preciso de um pouco de tempo.

– Tempo é o que eu não tenho, está começando a escurecer e eu preciso ir embora, você sabe disso, passo por um lugar assustador.

– Eu sei, mas você precisa me ouvir. É sério o que tenho para lhe passar.

– Eu imagino o quanto, mas essa conversa não está indo para lugar algum. Se você me der licença eu irei embora, você conta de fato o que quer amanhã pela manhã ou em outro momento que achar pertinente.

– Não, espere, não vá agora – disse segurando a mão do rapaz, antes que ele pudesse escapar por completo de suas mãos e de seu corpo.

O mesmo empurrou em direção ao parapeito da janela, seus corpos estavam muito próximos e seus rostos pareciam quase colados um no outro, dava para ouvir a respiração ofegante dos dois. Num impeto de coragem, que parecia não ter existido até o momento, finalmente aquele rapaz tímido estava olhando diretamente nos olhos do outro e estava sorrindo para ele. Aquele se assustou um pouco com a reação do amigo, não sabia o que iria acontecer a seguir e também não estava disposto a pensar nisso.

– Você está muito estranho hoje. Você não acha que estamos muito próximo não? Não poderia se distanciar um pouco de mim não? E finalmente fala o que realmente tem para falar para mim.

– Poderia, mas vai me dizer que você não gosta disso? Você não sente nada, quando nos sentamos nas sombras das árvores e cada um encosta a cabeça nas pernas ou na virilha do outro, dos vários encontrões que tivermos por ai, dos vários locais em que fomos juntos, enfim de tudo o que ocorreu conosco? Isso não foi nada para você?

– Bem, foram importantes sim, foram e são momentos inesquecíveis para mim também, mas não sei onde você está querendo chegar com tudo isso. E não, estou um pouco incomodado com tanta aproximação, poderia se afastar um pouco.

– Você realmente quer saber? Sabe porque tantas perguntas assim? – disse sem sair do lugar. – Eu te amo Khalil, sempre nutri muito forte dentro de mim esse sentimento, tudo aquilo foi muito mágico, inesquecível e importante em minha vida.

– O que? Não posso acreditar. Você está apaixonado por mim, não diga uma loucura destas, não fale uma besteira como essa. Isso é…

– Errado? Incorreto? Inadmissível?

– Não, não é isso que iria dizer, não sou preconceituoso como você deve estar imaginando, além disso não seria muito importante ou interessante para você se eu não concordasse ou lhe apoia-se, não iria fazer diferença – disse pondo suas mãos no tórax do rapaz. – O que iria dizer era porque eu, porque isso tinha que acontecer conosco? Isso não deveria ser assim, isso deveria ser impossível.

– Eu sei, mas as vezes as coisas mais impossíveis é as que se tornam a mais possíveis do mundo. Fico feliz que pelo menos você tenha gostado daqueles bons momentos, sei que estou atrapalhando você, está ficando tarde e você quer ir embora.

– Isso mesmo, realmente preciso ir. Me desculpe se não pude retribuir aos seus sentimentos, espero que encontre a pessoa certa.

– Eu agradeço, eu irei deixar você ir agora, mas antes poderia uma coisa para mim?

– O que? O que você ainda deseja fazer? Pode pedir, mas dependendo do pedido eu posso lhe conceder ou não.

Mas em vez de fazer uma pergunta ou uma afirmação, sem esperar que o outro reagi-se contrariamente, o que o rapaz fez foi precioná-lo contra a parede e lhe tascou um beijo, um daqueles de praticamente de deixar uma pessoa enlouquecida. O rapaz que aparentemente parecia ser contra e certamente tinha se posicionado até em desafor do relacionamento, não esboçou qualquer tipo de reação, nem tento afastar o rapaz, mais do que isso, parece mesmo que estava gostando do que está acontecendo, ou seja, tudo o que ele não passava de uma mentira ou uma tentativa de não manifestar seu amor ou relacionamento pelo outro rapaz.

– Pensei que não quisesse, pensei que iria ficar me evitando. Porque simplesmente não me empurou para longe e sair correndo da sala?

– E porque você acha que não fiz isso? Qual foi o meu propósito? É claro que também gosto de você, tenho certos sentimentos pela sua pessoa, adorei todos os momentos em que passamos juntos, e adoro ficar com a cabeça em sua virinha ou encostada em sua barriga, mas tinha medo do que isso pudesse se tornar, e agora que você me beijou estou meio confuso do que fazer agora.

– Eu imaginei isso, por um acaso tive essa reação diferente, queria saber o que você realmente pensa sobre mim, e eu estava certo, você de fato gostra de mim – e com isso o mesmo se ajoelhou no chão, diante do rapaz. – Não se, eu sei o que fazer em seguida, em primeiro lugar vou acompanha você até a sua casa e agora irei pedir você em namoro. Você quer namorar comigo? – e ainda ajoelhado fez o pedido, segurando a mão do rapaz e olhando fixamente em seus olhos.

– Sim, eu aceito namorar você – disse lhe abraçando como nunca fizerá antes na vida.

E como prometido o rapaz levou o outro para casa, mas não somente naquele dia, mas todos os outros dias que passaram a se seguir, passaram a conversar mais, ficar mais juntos e tudo passou a ser felicidade e alegria em suas vidas, e nada mais havia para reclamar.

Dança da Vida

Há momentos em que quero dançar, mas não é naquele sentido de se dar mal, simplesmente quero deixar o corpo seguir o ritmo da música ou tem a capacidade de ser feliz em vários momentos que a vida nos dispõe.

Tento dançar e muitas vezes, e muitas vezes tento fazê-lo no ritmo não somente da música, mas também da e na vida, mas estou sozinho, e a única que me acompanha, ás vezes, é a própria vida.

Mas, como tantas outras pessoas, também quero alguém para bailar comigo, para me amar e ser amado, pois estendo a mão na intenção de que alguém a pegue, e sei que um dia, alguém a pegará, e assim poderemos dançar de diferentes formas, seja numa boate, no amor e o mais importante, bailar com, na e por toda a vida que tivermos a nossa disposição.

Pensamento – Liberdade para Voar

A alma, a imaginação, a mente e o pensamento são como pássaros, precisam ter liberdade para voar, alcançar o mais alto que puder subir e ir para o longe possível que suas asas possam lhe levar, tem sempre que seguir em frente, deve unicamente parar para descansar ou repousar e em hipótese alguma deve ser aprisionada, impedida de voar alto e de ser livre. Uma mente que não é livre desaprende a voar, não consegue mais alçar mais vôos tão altos e longos, não consegue mais realizar longas viagens, seu espaço está delimitado por uma gaiola, por uma prisão e mesmo que tenha a oportunidade de voar, não será a mesma coisa.

Por isso mesmo nunca aprisione sua alma, imaginação mente e pensamento, mas se por um momento o fizer, então liberte a todas o mais rápido possível, pois um tratamento posteriormente irá precisar de muito tempo para se recuperar e voltar ao normal, até um hábito saudável. Então diga-me todos esses pássaros estão livres ou presos? Os meus estão livres.

Falar ou não Falar? Eis a questão

Utilizando uma celebre frase, somente totalmente alterada do Personagem Hamlet do grandioso escritor William Shakespeare, e digo mais, porque essa alteração, porque o título está escrito dessa forma e não da maneira correta, que seria Ser ou Não Ser? Eis a questão.

Simples, isso se dá por um motivo muito simples de muitas vezes, algumas pessoas, especificamente celebridades ou pessoas que tem alguma visibilidade pública, como por exemplo no cenário atual brasileiro, que seria Joelma, os Deputados Pastor Marcos Feliciano e o Jair Bolsonaro, todavia meu objetivo não será falar dessas pessoas, até porque estarei me rebaixando ao mesmo deles, mas tratar um pouco dessa questão do que eles falam e como isso tem repercussão na vida e na sociedade.

Estaríamos sendo idiotas, grosseiros ou hipócritas, se disséssemos que essas, outras ou qualquer pessoa não tem o direito, todos nos temos o direito e liberdade de falar o que quisermos, aonde e como e sem talvez um verdadeiro motivo, contudo, devemos saber ao fazermos isso, gera-se-á consequências, sejam positivas, negativas ou até mesmo ambas, e que não poderemos reclamar depois o que isso acarretou.

Mas porque isso ocorre? Acredito que todos sabem a resposta e a explicação, mas para aqueles que ainda possuem suas dúvidas, vou explanar sobre o assunto e disponibilizar minha opinião. O motivo é simples, o que não sabemos é que as nossas palavras e ações tem um poder muito forte, uma força que não se mede por nenhum equipamento cientifico, vai do imaginário de cada um, pois interfere diretamente na parte mais importante do corpo, nosso cérebro, pois é nesse local que surgem as ideias e ações e também será ali que tem uma repercussão maior ou menor.

Isso acontece também pelo fato de cada um tem sua opinião acerca do fato, ou seja, contra, a favor ou até mesmo neutro ou em cima do muro, não sabe que posição tomar. E obviamente acaba sendo um efeito natural discordar e criar ações que vão de encontro a opinião que foi manifestada. Mas a pergunta do título continua sem resposta, afinal temos o direito de liberdade de opinião, mas será que devemos fazer isso mesmo? Devemos seguir em frente sem se preocupar com as consequências?

Caberá a cada um fazer suas escolhas, mas eu entendo seriamente que tratando-se de uma opinião pessoal, e sabendo-se que a mesma terá opinião favoráveis e desfavoráveis, é melhor guardar para si sua opinião, como por exemplo esse escritor que poderia ter falado mal da pessoa no início da postagem, mas preferi não fazer e dizer somente que não concordo com a opinião de todos eles, trata-se de um outro passo importante a se seguir.

Mostrar seu ponto de vista, pode ser feito, ninguém pode impedir, mas afinal o que a pessoa ganha com isso? Visibilidade. Aparece nas mídias. Vira notícia. Ganha uma certa fama, prestígio e por outro lado descredito. Muitas vezes, mesmo sabendo do resultado, as pessoas fazem porque tem um real objetivo por trás disso, depois tenta amenizar o problema, até o momento que as pessoas irão esquecer. Minhas opiniões ficam comigo, o que faço é simplesmente opinar contra ou a favor, mas reclamar, xingar, parte para agressão ou algo pior, não compartilho dessa ideia, como devo ter dito, estaria me baixando ao nível deplorável da pessoa, pois ali ela terá mais força contra mim, e se eu manter no meu nível a mesma não alcança.

Espero que todos tenham consciência do que querem e antes de falar ou fazer qualquer besteira, pense muito bem antes, projete as consequências e resultados, e veja se fale a pena seguir em frente, pois depois não haverá retorno.

Dom ou Capacidade?

Escrever

Muitas vezes ouço as pessoas, amigos, colegas e alguns outros dizendo que essa arte ou ofício que vem a ser a de escritor(a), é praticamente um dom, uma característica que poucos possuem de admirar, cativar e envolver o leitor numa história que essa pessoa mesmo criou. Nesse sentido, discordo plenamente, não acredito que essa capacidade de escrever seja limitado à poucas pessoas, mas que se estende para todo mundo.

Com o termo utilizado anteriormente, acabei respondendo a minha própria posição e questionamento, pois para mim é sim uma capacidade inerente a qualquer pessoa, não é para tanto que antes poucas pessoas se tornavam escritores(as) e em praticamente todos os casos não eram bem vistos ou com bons olhos. Entretanto hoje em dia basta somente ir para Livraria para ter certeza de que me encontro com a razão e a verdade, pois milhares de livros, de diferentes escritores irão estar espalhados por diversas prateleiras ao longo do estabelecimento.

Todos nós possuímos essa importante forma de manifestação de pensamento ou opinião acerca de um fato, de uma lenda urbana, de um filme, das recordações da vida e do passado e tantas outras fontes e formas diversas de se iniciar uma obra, um livro. Todavia o que acontece de fato é que para isso é preciso em certos momentos, de pesquisa, treino, dedicação e sempre acredita que pode melhora e que tem o dever de melhorar, de aperfeiçoar sua forma de escrita, utilizar palavras novas (não repetir as mesmas em tão curto espaço de texto, salvo se houver necessidade), se apto a receber criticas e dedicação plena sobre a obra, os personagens e a história.

Será nesse ponto que muitos irão desistir de escrever, não querem perder tempo escrevendo um livro, outro até começam, mas não se dedicam bastante ou não se importam muito qual será o resultado, o que importa é que enquanto houver vontade, essas pessoas estarão escrevendo, isso quando o início da obra, a parte intermediária ou o fim do livro não atrapalham a conclusão do mesmo. Quando isso é ultrapassado ainda vem a parte da publicação do livro, que independente da Editora não sai muito barato, e muitos desistem de escrever, não querem passar por esse processo todo.

Por fim, o que quis mostrar com esse texto é que isso – a capacidade de escrever – não se limita a um grupo celeto de pessoas, mas se estende para todo mundo, o diferencial é que esse grupo quis continuar a escrever e se deu bem (ou pelo menos se espera isso), e o resto quis servir pura e simplesmente de ávidos, ansiosos, empolgantes e amáveis leitores e nada mais. Porém, talvez para muitos escritores(as) é ter a alegria e ver que um dia, um dos seus leitores também se tornou um escritor(a) e que por isso mesmo decide que vai prestigiá-lo no lançamento de seu livro, isso se receber o convite ou tiver como saber do lançamento.

E então, quem aqui se candidata a ser Escritor(a)?

 

Pensamento – A Vida

Uma certa vez, quando era mais novo, conheci e me tornei amigo de Victor Pereira Ramos, um rapaz muito importante, valioso e inesquecível em minha vida. Uma vez ele fez uma pergunta interessante, me indagou o seguinte: “Rodrigo, para você o que era a vida?”, sendo assim, prontamente pedir algum tempo para pensar, o mesmo disse que ia a Secretária e depois retornava, em seu regresso, já estava com a resposta em mente, e lhe passei a resposta que ele certamente esperava vim de minha pessoa. Eis a resposta:

-> Vida para mim é como preenchemos cada segundo, cada minuto, cada hora, cada dia, cada mês e a cada ano que se passa, e as coisas boas e ruins que acontecem ao longo desse lapso temporal que nos acompanha, e ver cada novo nascer do sol e cada pôr-do-sol, cada noite de lua cheia, minguante, nova ou crescente. Enfim é saber que isso começa em nosso nascimento, mas vai ter continuidade até o dia de nossa morte. Tudo o que acontecer entre um e outro é o que chamaremos, afinal de contas, de vida.

Ele ficou um pouco surpreso com a resposta, mas nem tanto, já me conhecia a algum tempo, já fazíamos esse tipo debate desde o início do ano letivo naquele fatídico e iluminado ano. Mesmo sabendo que eu tinha entre 12 e 13 anos (completaria 13 anos em 04 de outubro) acreditava que eu era capaz de pronunciar palavras e textos tão belos como este e assim foi-se seguindo até nossa separação, a ruptura de um vínculo cotidiano, mas nossa amizade ainda persiste, essa nunca vai desaparecer, estejamos onde estivermos. Mas ao pensar e refletir sobre isso acabei por nesse momento em que escrevo, criar um pensamento e que gostaria de compartilhar com vocês:

“Todos sabemos que essa vida é passageira, mas não podemos simplesmente esperar que a morte chegue, de braços cruzados, precisamos fazer o máximo do que pudermos para vivermos muito bem e felizes. Mais importante do que ter uma boa educação, ter feito o ensino superior, tem um bom emprego ou viver adequadamente e de forma inesquecível a velhice é utilizar o tempo ao seu favor. Nada isso perde a importância, mas acima de tudo, viver bem e se fazer o que quer, independente de religião, cultura, educação, etc parece ser mais proveitoso, divertido e tenho plena certeza que mais interessante e que muitas pessoas iriam adorar ter uma vida assim. Por isso se querem mudar, comece pela sua mente e alma, voe o mais longe que sua mente e alma possam ir, façam o possível para realizarem seus sonhos, desejos e metas, pois somente assim é que todos teremos, de fato, prazer e orgulho de dizer que fizermos o máximo possível de coisas que gostaríamos de ter feito em nossa vida.”.

Sendo assim, não percam tanto tempo com besteiras, bobagens, tentando avaliar, julgar, menosprezar, diminuir ou fazer qualquer coisa contra o próximo, viva sua própria vida, viva cada momento, sinta-se bem e capaz de realizá-lo, não se preocupe somente com o trabalho ou emprego, mas com outras coisas também. Enfim, vai curtir sua vida da maneira que acha em condições de fazer.

Ele ficou um pouco surpreso com a resposta, mas nem tanto, já me conhecia a algum tempo, já fazíamos esse tipo debate desde o início do ano letivo naquele fatídico e iluminado ano. Mesmo sabendo que eu tinha entre 12 e 13 anos (completaria 13 anos em 04 de outubro) acreditava que eu era capaz de pronunciar palavras e textos tão belos como este e assim foi-se seguindo até nossa separação, a ruptura de um vínculo cotidiano, mas nossa amizade ainda persiste, essa nunca vai desaparecer, estejamos onde estivermos. Mas ao pensar e refletir sobre isso acabei por nesse momento em que escrevo, criar um pensamento e que gostaria de compartilhar com vocês:

Mundo dos Sonhos

Estava estudando em pensando em algumas coisas dos meus livros que estou escrevendo com o tempo e decidir escrever o passar para vocês o breve trecho de um livro que pretendo começar logo, logo, pode demorar um pouco pois estou escrevendo coisas mais importantes no momento. Eis o trecho:

“Do que adianta viver num mundo ilusório dos sonhos onde tudo é bom, belo e perfeito, se no final das contas a realidade continuará sendo a mesma, se tudo voltar a ser como era antes, isso tudo para simplesmente viver uma mentira que satisfaça os prazeres pessoais de cada um. Isso não combina, até porque por um lado poderá ser bom, viver no mundo em que os problemas não existem, mas isso seria um mundo falso, mentiroso, ilusório e de falsas verdades. Não se precisa criar um mundo com este, não se precisa de um tecnologia para se fazer algo desse tipo, o que se precisa é mudar aquele que habitamos, a realidade que temos, destruir aos poucos as dores, os medos, as angústias e tudo o mais de ruim que possa existir e o mais importante, como será feito essa alterações, como devemos proceder para que as reais mudanças ocorram, isso sim é importante, pois se isso não for feito, o resto será completamente inútil ou descartável e não se terá utilidade alguma, até porque…

Trecho que irá compor o Livro: Mundo dos Sonhos.